AS PONTES DE PARIS

Quem conhece a cidade da luz sabe que um de seus inúmeros charmes é a vasta quantidade de pontes seculares ostentadas. A misteriosa arquitetura da capital francesa é autora de alguns dos cartões postais mais belos da Europa. Muito além de preservar a história de Paris – cidade instalada no centro da bacia parisiense sobre os meandros do rio Sena e suas confluências – as pontes são o símbolo da antiga capital do Segundo Império, ao lado da mais popular das torres, a Eiffel. Romântica, a contemporânea Paris será palco do programa Visionaire 2015. Destino mais do que apropriado para abrigar os olhares atentos ao casamento improvável entre clássico e moderno promovido na identidade visual da capital. Uma tentação para arquitetos, designers e especificadores amantes de arte, história e beleza.

É impossível passear por Paris sem cruzar incontáveis vezes o Rio Sena, ornamentado por imponentes e ancestrais construções que alternam entre vias para pedestres, veículos ou os famosos bâteaux mouches – embarcações equipadas com restaurantes, lojas e conveniências para passeio dos visitantes.

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Pont Neuf em sua magnitude atual

Pont Neuf (Ponte Nova, em tradução livre) já é a mais antiga atualmente, e passa pela île de la Cité, onde fica a lúdica Notre Dame. Iniciada em 1578, a construção da ponte levou 30 anos. Navegando pelo leito do Sena, sua impressão visual lembra as portas de um castelo.

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Pintura retratando o projeto da Pont Neuf, aprovado pelo rei Henrique III, em 1577. A ponte foi finalmente concluída em 1606, com um desenho menos ornamentado

Da Neuf seguimos para a Pont des Arts, famosa por exibir milhares de cadeados atados em sua estrutura por casais apaixonados inspirados pelo romantismo da capital do amor. Destinada apenas para pedestres, Arts liga o Institut de France ao museu do Louvre (antigamente conhecido por Palácio das Artes, por isso “ponte das artes”). Para evitar o desabamento da construção, pressionada por toneladas de cadeados que “decoram” a passagem como símbolos dos tradicionais compromissos amorosos, o governo parisiense lançou uma campanha educacional de selfies para que os turistas mudassem a cultura de “trancar o amor” por uma versão mais moderna de amor verdadeiro: “livre e leve”.

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Imagens mostram a infinidade de cadeados atados por casais apaixonados à ponte como símbolo de compromisso

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Vista lateral da Pont des Arts que liga o Institut de France ao Museu do Louvre, antigo Palácio das Artes

Classificada como monumento histórico, a Alexandre III é provavelmente a mais famosa e bela ponte de Paris, com uma decoração em “Art Noveau” ornamentada com querubins, ninfas e pégasos. Seu nome é uma homenagem ao czar Alexandre III, simbolizando a amizade franco-russa da época. Exuberante, ela foi construída com todos os cuidados para que não afetasse a visão da avenida Champs Elysées e dos imensos jardins da Esplanada Invalides.

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Pont Alexandre III construída para a Exposição Universal de 1900

A ponte é uma maravilha da engenharia do século XIX, segundo observadores entusiastas de seu vão único de 6 metros de altura. Ela liga a Esplanada des Invalides ao incrível acervo arquitetônico formado pelos prédios Grand Palais Petit Palais, construído também para a Exposição Universal de 1900, e orquestrados com harmonia na conjuntura urbana da cidade mais poética do mundo. Hoje, no local, funciona o Museu de Belas Artes de Paris.

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Pont Alexandre III com suas famosas esculturas folheadas a ouro

Pont au Change se tornou famosa pelo romance Les Miserables, do visceral escritor Victor Hugo. O nome foi inspirado na tradição dos ourives e cambistas que instalaram ali suas lojas no século XII, na versão original da ponte. Ali, eles trocavam as diferentes moedas que circulavam no Ocidente àquela época. A ponte atual foi construída entre 1858 e 1860, durante o reinado de Napoleão III e leva sua insígnia imperial – o famoso “N” ornamentado do imperador.

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Pintura da versão original da ponte, ponto de troca de moedas estrangeiras na Paris do século XII

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Palais de Justice, Conciergerie e Pont au Change por volta de 1900

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Pont au Change com a insígnia de Napoleão gravada em pedra na lateral

Pont du Carrousel foi finalizada em 1939. Após um crime de preconceito contra um jovem marroquino – arremessado da ponte – ela recebeu uma placa de homenagem a todas as vítimas de racismo.

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Por do Sol na Pont du Carrousel, em Paris, sede do Visionaire 2015

Pont du Carrousel atravessa o rio Sena, entre o Quai des Tuileries e o Quai Voltaire. Sua construção se iniciou em 1831, como um prolongamento da Rua des Saints Peres na margem esquerda. O projeto original ficou conhecido com esse nome até sua inauguração, em 1834, quando o rei Louis Philippe batizou a ponte com o nome atual em função da proximidade com o Arco do Triunfo du Carrousel na frente das Tuileries.

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Pont du Carrousel assinada pelo arquiteto Antonie – Rémy Polonceau

Em contraste às pontes clássicas, a Pont Charles de Gaulle – mesmo nome do aeroporto internacional de Paris – é repleta de linhas retas e traduz a influência da modernidade na arquitetura da cidade. Com 207m de comprimento e 35m de largura, ela foi inaugurada em 1998.

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Visão diurna e lateral da ponte Charles de Gaulle

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Alicerces da Pont Charles de Gaulle, visto por baixo em foto noturna

Para finalizar, ainda mais “fora do padrão” clássico é a Passarela Simone-de-Beauvoir. A construção ondulada liga as pontes de Bercy e deTolbiac e mede 304m de comprimento e 12m de largura. Foi inaugurada em julho de 2006.

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Construção da passarela ondulada Simone-de-Beauvoir

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Visão da passarela após sua inauguração em 2006