ENCORE!!

Alguns objetivos na vida, depois de superados, podem ser riscados da lista, e estamos prontos para os próximos. Já outros, quando alcançados, nos mostram que na verdade não eram um fim, mas um caminho, o começo de uma história. Assim é viajar a Paris. Não espere que, em uma única visita, a cidade te ofereça soluções ou saciedade. O que acontece, é que sempre saímos de lá com uma sensação de não ter aproveitado ao máximo, de não ter visto tudo o que queríamos ver. Mas, felizmente, existem as voltas, os reencontros! Paris é como um livro bom que você lê aos quinze, depois aos vinte e cinco, e mais uma vez aos cinquenta anos. A cada visita é uma leitura, um aprendizado, uma inspiração nova, um detalhe que você deixou passar. E, se o melhor está nas entrelinhas, justamente, Paris é cheia delas. Entre os maravilhosos bulevares da cidade, que iluminaram a Paris medieval e desordenada do século XIX para criar o mais charmoso modelo de cidade moderna e inteligente, estão as tortuosas ruelas, passagens secretas, e os endereços preferidos dos parisienses.
Paris, é muito mais que um destino geográfico, é um conceito, uma personagem, um universo, um estilo de viver e de sentir. Um aglomerado de histórias, sentimentos, fenômenos e culturas, dispostos em ruas e arrondissements. A cidade é dividida em 20 arrondissements, ou bairros, cada um com sua identidade impressa em suas esquinas, seus cafés ou boutiques.
Caso sua história com a cidade esteja apenas começando, leia esta seleção que fizemos de lugares a não perder em um primeiro contato. Mas, se já visitou a cidade, uma, duas ou mais vezes, já foi aos seus destinos mais icônicos, já sentiu todo o frisson do primeiro encontro, e ainda assim, não conseguiu riscar a cidade da sua lista de sonhos, separamos uma lista de dez lugares ainda incríveis a conhecer em Paris.

1 – O Instituto do Mundo Árabe de Jean Nouvel
Paris é uma das cidades com maior quantidade de imigrantes árabes da Europa. Esse elo foi marcado neste edifício que por si só já é uma belíssima homenagem à cultura e arquitetura árabe. O projeto assinado pelo ilustre Jean Nouvel, é uma construção contemporânea com fortes referências aos padrões típicos da arquitetura árabe, como por exemplo a arte geométrica das belas janelas da fachada sul, que se fecham automaticamente conforme a incidência de luz. Dos dez andares do instituto, três são dedicados ao museu, que expõe as mais belas obras de arte criadas em 20 países árabes.

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2. L’Hotel de Ville
O prédio de 1357 sempre abrigou a prefeitura da cidade. O Rei François I encomendou sua reforma no estilo renascentista em 1533, mas foi quase inteiramente reconstruído no estilo do segundo império, em 1874, após incêndio durante a revolução francesa. A praça em sua frente, antigamente conhecida como Place de Grève, foi palco de muitos momentos históricos. Se você é daquelas pessoas que se arrepiam ao saber quem pisou onde você está pisando, essa praça é uma fonte de arrepios. Além de execuções públicas durante a idade média, e da comuna de Paris, que se instalou nela, essa praça viu acontecer também o beijo mais famoso da história, registrado pelas lentes de Robert Doisneau, e se tornou um ponto turístico para namorados que reproduzem a cena. Durante todo o inverno, a prefeitura de Paris instala uma pista de patinação no gelo sobre a praça.

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3. Le Palais Royal e a Comedie Française
O palácio localizado ao lado do Louvre, apesar do nome, nunca foi morada oficial dos Reis. Ele abrigou durante a infância, o Rei Luis XIV, mas logo que se tornou regente, o mesmo se mudou para o Palácio do Louvre. O palácio é famoso por seus charmosos jardins rodeados de colunas e por sua linda sala de teatro, que abriga, desde 1680, a Comedie Française, companhia oficial de teatro fundada por Luis XIV. Seja você fluente na língua ou não, vale a pena conferir a programação do teatro, onde são encenadas ainda hoje, as melhores peças de Molière, como “O Doente Imaginário”, “O Médico a Força”, “O Avarento”, bem como clássicos de outros autores. Além do alto nível das produções, a própria sala é de tirar o folego.

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4. Les Passages Couverts – Passagens e Galerias escondidas.
Por toda Paris se encontram passagens que cortam quarteirões de fora a fora, e que escondem maravilhosas lojas, restaurantes, livrarias. Algumas são verdadeiros portais para uma outra época, onde você encontra os mais belos artesanatos que primam, ainda, por saberes do século passado. Essas passagens eram ruas fechadas que davam acesso aos fundos das propriedades, mas foram reformadas e abertas ao público por volta de 1850. Elas protegiam os pedestres da chuva durante suas compras. Das 150 passagens que se tem registro na cidade, apenas 20 ainda sobrevivem às pressões do tempo e do comércio, quase todas próximo ao Palais Royal e ao Louvre. Muitas delas se tornaram centros comerciais privados e modernos. A associação de Passagens e Galerias oferece visitas guiadas pelas mais belas. O tour acontece somente duas terças-feiras por mês, o que, para o seu roteiro, é ótimo, já que terça feira a maioria dos museus da França são fechados.

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5. O Museu Carnavalet
O Museu conta a História de Paris e dos parisienses e está instalado em um lindo Hotel Particulier (termo francês para as mansões da nobreza, geralmente com pátio e jardim interno). A exposição permanente conta com um acervo riquíssimo que reúne desde artefatos pré-históricos da tribo Parisii, que viveram na ilha da cidade, à mobília completa da sala em que Proust escreveu suas obras.

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6. O Petit Palais
Construído para a exposição Universal de 1900, juntamente com o Grand Palais, o Petit Palais não tem nada de pequeno. A construção imponente abriga hoje o acervo do Museu de Belas Artes de Paris, além de exposições temporárias do mundo todo. É, atualmente, um dos destinos mais nobres para a obra de um artista. A exposição permanente, marcada pela diversidade, abriga peças da antiguidade aos anos 1900. O passeio começa pelas obras mais recentes, com uma impressionante coleção de quadros do impressionismo, passa pelo realismo, naturalismo, art nouveau, até chegar ao classicismo das esculturas e vasos gregos. A visita é gratuita.

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7. O Museu de Arte Moderna de Paris no Palais Tokyo
O Palais Tokyo criado em 1937, surgiu da necessidade de separar as coleções de arte moderna das demais do Petit Palais. Sendo assim, a história da arte, que começa na antiguidade e vai até os anos 1900, é contada no Petit Palais, e, de 1900 aos dias de hoje, continua do MAM de Paris. A ocasião encontrada para a construção do prédio foi a Exposição Internacional de Artes e Técnicas da Vida Moderna, que aconteceu naquele ano. O acervo que ilustra esse último século, não é menos impressionante que todos os outros períodos da arte juntos. A riqueza dos movimentos artísticos que o século XX presenciou, está lá, nas obras de Matisse, Picasso, Modigliani, e muitos outros. O museu abriga também exposições temporárias de artistas contemporâneos.

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8. A casa e os Jardins de Monet
A casa em que o pintor morou e trabalhou durante 43 anos, fica em Giverny, a 75 Km de Paris, e como Versailles, é um passeio fácil a se fazer de trem. Depois de visitar a casa, o mais impressionante da visita está nos jardins. Quando vimos quadros de Monet, podemos pensar que ele se serviu de uma certa licença poética para aumentar a beleza das paisagens, mas realmente, está tudo ali. Os jardins correspondem exatamente à beleza imortalizada nos quadros. Com certeza vai ser aquela foto da viagem que vai merecer um #semfiltro.

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9. O Cemitério Pere Lachaise
Talvez já tenha ouvido dizer que amantes de Rock peregrinam até o Cemitério Pere Lachaise para visitar o tumulo de Jim Morrison. Se esse não é o seu ídolo, o cemitério ainda pode ser uma parte do seu roteiro, já que, além de outras celebridades lá enterradas como Edith Piaf, Honoré Balzac, Victor Hugo, Marcel Proust e Chopin, os túmulos suntuosos contam muito sobre a história das famílias francesas. Um ponto interessante do cemitério é o tumulo de Oscar Wilde, repleto de marcas de batom, deixadas por leitores do mundo todo.

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10. Museu da Idade Média
Apesar de ser uma cidade milenar, o conjunto arquitetônico de Paris é quase todo do estilo renascentista. Eis que no meio da cidade ainda encontramos um castelo medieval que abriga justamente o Museu da Idade Média, também conhecido como Museus de Cluny. Fundado em 1843 graças à rica coleção de tapeçarias, vitrais, e objetos pessoais do período de um colecionador apaixonado, o acervo museu não parou de se enriquecer. A peça central da exposição é o conjunto de seis tapetes que juntos constituem La Dama à la Licorne, onde cada tapete mostra uma donzela recebendo um sentido sensorial (visão, audição, etc.) e o sexto tapete, ou sexto sentido, permanece ainda um mistério. A obra cheia de símbolos e enigmas é intitulada: A mon seul désir, (Ao meu único desejo). Anexas às instalações do castelo, sem sair da visita, encontramos ruinas de termas galo-romanas.

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